Em detalhe

Sentar no Chão em Detalhe

Na página inicial apresentámos sentar no chão como a posição com melhor desempenho na investigação. Aqui aprofundamos o tema: o que a distingue de outras posições, como se encaixa no dia a dia e o que sugerem as evidências entre culturas. Cada afirmação remete diretamente para a sua fonte.

Pessoa sentada de forma relaxada, de pernas cruzadas, no chão

O que distingue sentar no chão de cadeiras, bancos altos e estar em pé

A diferença chave não é se uma posição é "mais ativa", mas sim a variedade: no chão podes alternar entre sentar de pernas cruzadas, ajoelhar, um agachamento profundo ou pernas esticadas sem nunca saíres do lugar — basta um pequeno deslocamento de peso.

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Com uma cadeira, um banco alto ou estar em pé, por outro lado, uma mudança de posição quase sempre significa trocar de mobiliário ou de categoria por completo. Do ponto de vista histórico, sentar numa cadeira também não é um padrão fisicamente prescrito: tende a achatar a curva natural da coluna e só se tornou a norma cultural com o tempo — não por ser anatomicamente necessário.

Fonte: Aktion Gesunder Rücken (AGR) e.V., Bewegte Schule: "Sitting on Chairs – The Origin Story of a Mass Phenomenon" (PDF)

Simples e económico de adotar — mesmo para crianças

Sentar no chão não exige mobiliário especial: um futon, uma almofada de chão (zafu) ou uma mesa baixa em vez da altura habitual de jantar já bastam. Em países como a Índia, o Japão ou a Coreia, sentar no chão para comer é perfeitamente normal.

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As crianças gravitam naturalmente, por si só, para posturas de sentar ao nível do chão — uma mesa baixa com almofadas encaixa melhor nessa preferência natural do que uma cadeira alta com apoio para os pés.

Fonte: Akutmag

Prático: praticamente nenhuma altura de queda

O mobiliário de chão, como almofadas ou um zafu, praticamente não tem altura de queda — uma vantagem face a bancos altos ou cadeiras altas, sobretudo em casas com crianças pequenas.

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Em pavimentos lisos, vale a pena usar um tapete antiderrapante para que as almofadas ou superfícies para sentar não deslizem por baixo de ti.

Nota prática — não é um estudo, é a nossa própria avaliação.

Que músculos são ativados por sentar no chão?

Para perceber porque é que isto funciona, ajuda olhar para os músculos envolvidos: sem encosto e sem um assento fixo, os flexores e rotadores profundos da anca, os glúteos e os músculos anterior e posterior da coxa assumem a estabilização.

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A isto soma-se a musculatura do tronco e das costas (incluindo os eretores espinhais), que mantém a parte superior do corpo direita onde, de outra forma, um encosto daria apoio. São exatamente estes os grupos musculares que, no estudo dos Hadza mencionado na página inicial, foram medidos como visivelmente mais ativos em posições de agachamento e ajoelhado do que sentado numa cadeira.

Fonte: Raichlen et al., PNAS 2020 (fonte primária)

Com que rapidez o músculo fica mais forte?

Do ponto de vista da fisiologia do treino, os ganhos de força podem ser divididos, grosso modo, em duas fases: as melhorias iniciais são sobretudo neurais — uma melhor ativação dos músculos envolvidos, muitas vezes percetível já nas primeiras 2 a 4 semanas de prática regular.

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As adaptações estruturais resultantes do crescimento muscular efetivo surgem mais tarde e, normalmente, só se tornam mensuráveis após 6 a 8 semanas de treino regular. Isto aplica-se ao treino de força em geral e pode razoavelmente ser aplicado aos músculos trabalhados por sentar regularmente no chão — um indício de que a paciência faz parte do processo.

Fonte: Moritani T, deVries HA (1979): „Neural factors versus hypertrophy in the time course of muscle strength gain." American Journal of Physical Medicine 58(3).

Quanto tempo demora a habituares-te a novas posições?

A rapidez com que posições mais profundas, como o agachamento ou a posição ajoelhada, começam a parecer confortáveis varia muito de pessoa para pessoa — com ancas e tornozelos menos móveis, pode demorar várias semanas a meses.

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Uma abordagem gradual ajuda: intervalos curtos de sentar no chão dentro da rotação do PostureShift, aumentados progressivamente ao longo do tempo, em vez de sentares no chão por longos períodos desde o início.

Nota prática — não é um estudo, é a nossa própria avaliação com base na experiência geral de treino.

Dormir também: uma ideia relacionada

Dormir no chão é culturalmente comum nas mesmas regiões que sentar no chão — por exemplo, no Japão com o futon, ou em grande parte da Ásia e da África. O princípio é semelhante: uma superfície firme e nivelada em vez de uma cama alta e macia.

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No entanto, a qualidade do sono e a firmeza certa do colchão são um tema próprio, altamente individual. Algumas pessoas preferem uma superfície mais firme — mas isso não equivale a uma recomendação geral para dormir no chão.

Fonte: Indojunkie

Quão comum é sentar no chão em todo o mundo?

Não existe uma percentagem global fiável de "uso do chão vs. cadeira" — fontes credíveis evitam deliberadamente esse tipo de números. O que se pode mostrar, no entanto, é que em países como a Índia, o Japão e a Coreia, bem como em grande parte de África e do Sudeste Asiático, sentar no chão faz simplesmente parte do dia a dia.

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O antropólogo Gordon W. Hewes documentou mais de 100 posturas habituais para sentar em todo o mundo, no seu amplamente citado trabalho — concluindo que pelo menos um quarto da humanidade descansa habitualmente num agachamento profundo.

Fonte: Rheumaliga Schweiz (citando Gordon W. Hewes)

Movimento do dia a dia em vez de treinos extra

Entre os Hadza, uma comunidade de caçadores-recoletores na Tanzânia, o movimento integrado na vida diária representa uma grande parte da atividade: cerca de 135 minutos de atividade moderada a vigorosa por dia, sem qualquer rotina de exercício separada.

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Isto sugere que o movimento integrado no dia a dia pode ajudar a tornar, pelo menos em parte, desnecessário o exercício compensatório em separado — embora isso não deva ser entendido como uma garantia ou um substituto do exercício, mas antes como um elemento entre vários.

Fonte: Spektrum der Wissenschaft, Raichlen et al., PNAS 2020 (fonte primária)

Porque é que as culturas indígenas nunca precisaram de ioga ou ginástica

Nem o ioga nem a ginástica surgiram como terapia para dores nas costas: o ioga começou como uma prática espiritual na Índia, enquanto a ginástica na Grécia antiga servia o condicionamento militar e a estética.

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Só entre os séculos XVIII e XX é que ambos foram cada vez mais reinterpretados como um contrapeso ao sedentarismo. As culturas que nunca precisaram dessa reinterpretação simplesmente não tinham utilidade para um programa de exercício separado — porque a variedade postural e o movimento já estavam integrados no dia a dia.

Contexto editorial — não é uma única fonte, é o nosso próprio resumo histórico.

Leitura complementar: três recomendações de livros

Para quem quiser aprofundar o tema, seguem três livros sobre o assunto — como sugestões de leitura, não como um endosso a nenhum método específico por parte do PostureShift.

8 Steps to a Pain-Free Back

Esther Gokhale

Um olhar metódico sobre a postura no dia a dia, com uma ligação direta a problemas nas costas relacionados com a postura.

Ver livro

Sitzen ist das neue Rauchen

Kelly Starrett

O título ecoa a frase criada pelo Dr. James Levine (ver Contexto) — o livro em si é escrito por Kelly Starrett.

Ver livro

Deutschland hat Rücken

Petra Bracht & Roland Liebscher-Bracht

Nota: os métodos apresentados neste livro são objeto de debate entre especialistas. A sua menção aqui é uma sugestão de leitura neutra, não um endosso ao método por parte do PostureShift.

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